"há tanto a dizer, tanto. penso por horas ao longo dos dias, horas
a fio durante as quais tento me distrair, concentrar, não pensar. e
acumulo idéias, coisas a fazer, silêncios, maneiras de dizer cada uma
dessas tantas coisas. mas principalmente penso nos prédios, nas ruas,
nas esquinas. é muito difícil ignorar alguém de quem você lembraa
quando vê um prédio, um prédio qualquer, e pensa como seria
bom se lá dentro estivesse determinada pessoa.
pois eu olho os prédios. ao menos os tenho olhado. mais e cada vez
mais procuro pelas janelas por alguma gentileza da sorte que, de
repente, surja o rosto querido. surgindo ou não, ainda olho, passante,
em cada prédio, e imagino esse mesmo rosto. o imagino sorrir para mim,
imagino que essa pessoa esteja em algum lugar, qualquer lugar,
desconhecido, próximo, tanto faz.
também me preenche dessa saudade esperançosa o caminhar. olho os
rostos pelas ruas, viro as esquinas com essa doce esperança. e rostos,
ruas, esquinas, janelas, todos passam por mim e eu, passando, por minha
vez, não desisto de procurar.
é claro que eu sei exatamente onde encontrar o exato sorriso que
quero, como também é claro que me falta a pessoa do sorriso, como
também me ilumina o rosto escutar qualquer risada próxima ou mesmo...
principalmente, talvez... em qualquer conversa informal usar ou sequer
pensar em um verbo específico para "funcionar" ou "dar certo".
pois bem é claro que isso tudo é verdade, é o meu cotidiano, é o
crescente de cada dia desde que descobri, sem querer, que queria àquela pessoa tanto bem. e tentei não me deixar, mas deixei.
mas sem procurá-la no seu telefone ou no seu endereço. nos seus
olhos, sim. mas não sei se ela pôde ver claro nos meus olhos como
eu procurava aqueles olhos. talvez porque eu não pudesse dizer.
então penso, quando falo sobre algo que deveria dar certo e
inevitavelmente lembro do verbo, que poderia ser qualquer outro,
mas que compartilhei... lembro e penso no não poder, penso no que
Vinicius dizia "separados por imperativos categóricos de suas
vidas"... e penso em tanta coisa que nem sei o quanto dizer. não sei
como dizer.
nesse meio tempo, coisas do cotidiano me fazem gostar mais e mais
de uma única pessoa e querer mais e mais que o cotidiano tenha
alguma coisa dela. de olhar sem dizer, olhar sem tempo determinado,
ou contar histórias, cantar aquela música que pode ser qualquer uma,
ficar de mãos dadas.
eu sei o que é sentir isso, existe até um nome pra esse sentimento.
quem sabe ela também pense, quem sabe ela deseje, mesmo sem querer
fazer planos, quem sabe ela procure o meu rosto entre rostos
desconhecidos na rua.
vejo seu rosto, mesmo por tantas vezes sorridente, com alguma
languidez mal escondida, vejo esse rosto com os olhos forçosos
contra minha letra minúscula, vejo minhas mãos abertas, por entre
as letras, meu coração ainda em pulso sobre minhas mãos, vejo seus
olhos se abrirem, encararem meu coração entregue em minhas mãos por
entre letrinhas desenhadas cuidadosamente num papel que repousa em
suas mãos e vejo-a revelar-se ela mesma, em sua tristeza menina, que talvez
queira, mesmo sem mãos, letras, papéis nem palavras, entregar-me seu
coração também."
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
thee should know
tive medo que te fosses, que sem ti por perto, nunca mais pudesse a torre dançar. e ela dança. que há em nós dois uma alegria impossível de se expressar. dançamos. há uma dor em mim, próxima às despedidas, próxima às chegadas, entrelaçada nos momentos bons demais. dor dessa certeza de que haverá de haver uma despedida. e dói, dá febre, mesmo que febre 37, aquela de manha, que eu quero colo, quero que venhas me deixar, quero que me guardes pra que se guardem em mim os derradeiros segundos de nós dois. que queria, na minha loucura, que houvesse essa tal simbiose e nossos corpos jamais pudessem se separar. porque eu digo que não podem. então contraria-se o fato e nos dizemos boa noite, te vais de mim, levo-me, arranco-me de ti como que rasgado o tecido de nós, não fosse sangrar. mas então a gente sangra, se despede, se separa. e contrariando essa contrariedade, continuamos juntos, filho um do outro, numa coisa que eu não sei não chamar de amor.
ainda que eu saiba que cada volta tua há de apagar a dor que a tua ausência me causou.
vi hoje, folheando o livro, fora dado à minha mãe dia 31 de agosto de 2007. me percebi que fora a esse tempo que grande parte da minha literatura se construiu. nesses meses subsequentes, enquanto eu mais e mais adoecia, lera este livro, vinicius, bandeira. e me perguntei se não fora disso tudo que eu, doente, houvera construído todo esse jeito tão meu de amar. e conclui que não. que sempre fora assim, que só naquela época eu houvera encontrado as palavras de me pudessem descrever. mas é incrível como ele descreve tão bem tanta coisa daqui de dentro de mim, como que pudesse ter sido escrito por mim mesmo. e sei que nas folhas vais me encontrar, vais me encontrar na doçura e na fatalidade das palavras, na profundidade dos erros e das certezas, de alguma forma eu estarei contigo, como sempre vou estar dentre as flores ou as janelas ou as brisas, como eu talvez tenha sempre estado, que sei que estiveste dentro de mim desde o vigésimo primeiro dia do primeiro mês do octogésimo quarto ano do século passado. que sei que foste tu segurando minha mão todos os dias, que seguravas a mão da morte enquanto ela tentava me arrancar de mim o coração teu que pulsava no meu peito, que nunca me deixaste me perder, pra que eu pudesse chegar até aqui e te dizer que és apenas uma menina. e eu, o menino que foi feito pra ti, pra te fazer feliz, que foi planejado nos seus detalhes mais minuciosos, das dores, das línguas e da saliva, e que demorou um pouquinho demais pra ficar pronto pra ti. mas que é só teu.
contar-te-ia que aos sete anos tentei pela primeira vez me matar. que estava trancado num quarto, num apartamento talvez no décimo terceiro ou no oitavo andar, quem sabe. que escrevi uma carta linda de despedida, dizia como amava minha mãe, fiz o desenho de um coração enorme e vermelho, deixei em cima da cama, ia subindo na janela quando a tia rosa abriu a porta. fiquei envergonhado, fingi estar só brincando, ela não percebeu do que se tratava a carta, apenas achou linda e escreveu no seu fim "amém". e eu diria que foste tu mesma quem a fez abrir a porta, tu me dificultaste a escalada da janela, tu me seguraste a mão. eu diria que foste qualquer coisa que me acompanhara por todos esses anos que fez com que eu chegasse até aqui pra ti. e deverias acreditar, porque eu não vejo mais motivo algum. como nunca dantes vira.
ah mas, sim, eu chorei. chorei a falta de almas e mais almas. chorei a falta da alma de mim mesmo também, essa que posso ler nos teus olhos e que não existe, de mim, nos olhos de mais ninguém.
mas tudo é nada, não é?
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Ciclo
e quando vi nos teus olhos o pavor da meia noite
quando tua alma abraçou a minha
quando descobri a ausência toda
de todos os meus infinitos
de todos os meus fins
o escuro fundo dos teus olhos
tua boca aberta
teu fôlego preso
teu coração se rompia
e fazia brotarem da tua pele
milhares de flores disfarçadas de gotas
nelas havia de certo
a cura para toda a sede
o encontro final com a fonte que procurei
por todos os desertos
atrás de saber o que sentiu o primeiro homem que amou uma mulher
o que terá sentido o primeiro homem que pensou ter asas
e se atirou no abismo castanho de uma mulher
que por ter sido a primeira mulher a ser amada
deveria ter os teus olhos
como que eu fosse o último homem a amar uma mulher
e que esse último amor só pudesse ser teu
depois que vi nos teus olhos o pavor de se saber
amada
a mulher amada
exposta em flor e fruto e alma
no exato momento do nascer de todas as coisas
então eu morri de mim
de novo
bem como da primeira vez em que te vi
e nasci
de novo
bem como da primeira vez em que te vi
e nos teus olhos eu soube
que de todas as coisas que haviam sido criadas para ti
a primeira delas haveria de ser eu
quando tua alma abraçou a minha
quando descobri a ausência toda
de todos os meus infinitos
de todos os meus fins
o escuro fundo dos teus olhos
tua boca aberta
teu fôlego preso
teu coração se rompia
e fazia brotarem da tua pele
milhares de flores disfarçadas de gotas
nelas havia de certo
a cura para toda a sede
o encontro final com a fonte que procurei
por todos os desertos
atrás de saber o que sentiu o primeiro homem que amou uma mulher
o que terá sentido o primeiro homem que pensou ter asas
e se atirou no abismo castanho de uma mulher
que por ter sido a primeira mulher a ser amada
deveria ter os teus olhos
como que eu fosse o último homem a amar uma mulher
e que esse último amor só pudesse ser teu
depois que vi nos teus olhos o pavor de se saber
amada
a mulher amada
exposta em flor e fruto e alma
no exato momento do nascer de todas as coisas
então eu morri de mim
de novo
bem como da primeira vez em que te vi
e nasci
de novo
bem como da primeira vez em que te vi
e nos teus olhos eu soube
que de todas as coisas que haviam sido criadas para ti
a primeira delas haveria de ser eu
domingo, 15 de novembro de 2009
metade
teu nome é uma sequência infindável de erres mudos
parafraseados, viagens insólitas
um nome que castiga, que sôa dissonante
que se dedica ao vício e à vírgula
e faz pontos em cruz nas minhas marcas
teu nome impronunciável
tatuado pela parede interna da garganta
completamente mudo e estático
matéria de explosão em câmara muito lenta
te enxergo então tão à frente
guardo pra ti meu peito
pra te servir de berço
cavo entre minhas costelas
poços demais profundos
em que guardarás todo receio e medo
e meu coração partido
será costurado com o teu
num ninho de oito cavidades
átrios ventrículos valvas
por onde passarão correndo afoitos
nossos filhos, nova classe de arcanjo
que vamos banhá-los com lágrimas de santo
alimentá-los de nuvem pré-garôa
abrigá-los sob um céu de guizos
acordá-los à luz de três luas sempre minguantes
saibam eles que a dor inerente ao amor
é a chuva inerente aos arcos e às íris
todas as impossíveis cores
e meu nome, desde o início, já tinha gosto de dê
era cheio de enes e ésses
os pingos dos ís eram orvalho
condensado no momento matinal de nossa separação
quando eu era obrigado a acordar
e viver um mundo com um coração de quatro cavidades
sem arcanjos nuvens riso de estrela
e pensar nesses pedágios todos
essa injusta e intransponível distância
até o adormecer
quando voltamos à eterna morada
do inelutável primeiro amor.
parafraseados, viagens insólitas
um nome que castiga, que sôa dissonante
que se dedica ao vício e à vírgula
e faz pontos em cruz nas minhas marcas
teu nome impronunciável
tatuado pela parede interna da garganta
completamente mudo e estático
matéria de explosão em câmara muito lenta
te enxergo então tão à frente
guardo pra ti meu peito
pra te servir de berço
cavo entre minhas costelas
poços demais profundos
em que guardarás todo receio e medo
e meu coração partido
será costurado com o teu
num ninho de oito cavidades
átrios ventrículos valvas
por onde passarão correndo afoitos
nossos filhos, nova classe de arcanjo
que vamos banhá-los com lágrimas de santo
alimentá-los de nuvem pré-garôa
abrigá-los sob um céu de guizos
acordá-los à luz de três luas sempre minguantes
saibam eles que a dor inerente ao amor
é a chuva inerente aos arcos e às íris
todas as impossíveis cores
e meu nome, desde o início, já tinha gosto de dê
era cheio de enes e ésses
os pingos dos ís eram orvalho
condensado no momento matinal de nossa separação
quando eu era obrigado a acordar
e viver um mundo com um coração de quatro cavidades
sem arcanjos nuvens riso de estrela
e pensar nesses pedágios todos
essa injusta e intransponível distância
até o adormecer
quando voltamos à eterna morada
do inelutável primeiro amor.
domingo, 25 de outubro de 2009
Deitada em minha cama
escuto o relógio fazer tic
e penso em você
andando em círculos
confusão não é nada novo
flashback
noites quentes quase deixadas para trás
maletas de memórias
tempo após...
às vezes você vê meu rosto
eu estou andando muito à frente
você está me chamando
eu não consigo escutar
o que você disse
então você diz
"vá devagar"
eu caio atrás
a segunda mão se liberta
se você estiver perdida
você pode olhar
e você irá me encontrar
tempo após tempo
se você cair eu te segurarei
eu estarei esperando
tempo após tempo
depois que minha foto esvanece
e a escuridão se tornara cinza
assistindo através de janelas
você está se perguntando se eu estou bem
segredos roubados lá do fundo
a bateria soa fora do tempo
se você estiver perdida
você pode olhar
e você irá me encontrar
tempo após tempo
se você cair eu te segurarei
eu estarei esperando
tempo após tempo
------
psiu... entra pelo www.meebo.com.br, loga o msn, na "lista de contatos" tem um sorrisinho com um +, adiciona ro.malheiros@ig.com.br
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
as horas
há meses fragmentos são escritos, perdidos, ensaiados, deixados. cá estão eles, se querias saber. e não precisa de uma resposta, não precisa nem tentar, também não precisa dizer que leu, dizer o que achou, achar um jeito, mesmo sem jeito, de responder ou comentar. não precisa fazer nada que não queiras, que não saibas como. estende a mão, dá um olhar ou um sorriso, sei lá, liga e diz que quer me ver, inventa uma desculpa. porque mesmo quando não sabes o que dizer, contanto que eu saiba que pensaste em mim, parece que tudo fica bem. e então eu também fico.
-------------------------------
"nós vivemos juntos numa fotografia do tempo... eu olho nos seus olhos e os mares se abrem para mim. eu digo que lhe amo e que sempre amarei... e eu sei que você não pode me dizer. eu sei que você não pode me dizer, então eu sou obrigado a catar as dicas, os pequenos símbolos da sua devoção..."
tem sido a musiquinha das tardes que podem ter música, tem sido a música das horas que me cabem ser. quando muito raro me dou ao luxo de sentir o que sinto, de embarcar na minha pessoa que sonha com você. nas outras 22 horas do dia em que não estou dormindo... eu sei que você entende: não quer dizer que eu esteja o tempo todo ocupado, só quer dizer que se eu paro pra pensar em você, eu posso não fazer mais nada e grande parte das vezes confesso ter medo de não parar mais. então eu me distraio de alguma forma não muito eficiente, leio qualquer coisa, durmo, estudo. mas de muito pouco me servem as distrações. e então você me pergunta o que eu faço... e como eu posso dizer?
que não quero lhe causar ainda mais problemas, que queria poder parar e perguntar um monte de coisas, que queria poder cuidar de ti, que há uma infinidade de coisas que eu poderia fazer... como eu poderia dizer que me sinto um idiota perto de você?
eu queria explicações... ao menos umas poucas, mas nunca pude parar para lhe perguntar. e queria poder perguntar. queria que você soubesse o quanto penso em você e o quão terno é. e se você soubesse, nunca falaria em banalizar-se um sentimento.
quem sabe eu devesse ter as palavras certas.
---------------------------------------
Lar é qualquer lugar perto de você.
sinto uma necessidade absurda de escrever. escrevo ainda como uma tentativa, um autômato e, de certo, não sai nada daquilo que eu realmente queria dizer
sing what you have to sing, dance what you have to dance...
quis te ligar, escrever, visitar, quis te dizer aquele monte de coisas que meu silêncio não diria, quis transmitir através dos meus olhos, mas eu não soube como.
e gosto da maneira como me chamas e como me gostas, mas não sei como dizer. não sei o que dizer. então você vê que qualquer pouco sentido que minhas palavras possam fazer é tão clichê quanto se leria numa dessas revistas pré-adolescentes. e fico pensando se de alguma maneira eu conseguiria te dizer o que quero.
mas olha, é o texto que é confuso. eu sei muito bem o que sinto agora e penso e quero dizer.
mas provavelmente vai levar tempo.
a gente entende o coração como nossa máquina de sentir. a gente não usa a palavra coração pra designar um órgão, uma bomba que suga e impulsiona sangue... a gente fala em coração como o lugar ou a coisa na gente que sente, que guarda. como eu digo "você mora no meu coração". e esse coração de que eu falo, ele não amadurece, não envelhece e não aprende. ele não gosta quando eu quero que goste e também não desgosta e muito menos ele sabe se fazer entender.
mas ninguém aqui fala abertamente das coisas, a gente fala em "gostar" "querer bem", mas a gente toma cuidado com as palavras fortes... eu não disse "eu estou apaixonado por você" e você não disse "eu não quero ser sua namorada". e eu preciso entender. mesmo que não seja possível. porque a minha máquina de pensar trabalha o tempo todo tentando resolver os problemas da máquina de sentir. e se eu achar que há algo que se possa resolver, eu vou tentar resolver, eu vou querer resolver... todo problema tem uma solução. e eu sou idiota demais pra calcular dificuldades.
então talvez eu devesse ter dito assim:
olha... eu rego tempo com cartas, é como eu faço. talvez eu arranque uma folha do meu caderno e escreva umas coisas. qualquer coisa de como foi meu dia, como foi a aula, talvez eu passe lá pela sua casa, talvez eu dê um toque no seu telefone só pra você saber que eu estava pensando em você.
então vou passar uma tarde ou outra com você, nós vamos conversar e sorrir. vais me sorrir teu sorriso mais triste, aquele de súplica e eu segurarei tua mão em resposta, por nunca saber como dizer assim "já passou". vou dizer que comigo você não precisa ter medo, vou dizer com a certeza de alguém pequeno, que se sente um idiota perto de você, mas um idiota no topo do mundo.
vai chegar um dia em que vais cansar de se despedir e vamos começar a dar bom dia ao invés de boa noite.
----------------------------------------
Depois de um certo dia, certas coisas que disseste, e nunca mias consegui ver teus olhos de outra maneira. Via em ti uma menina, tornei-me incapaz de perceber tua idade ou qualquer coisa que te distanciasse do ser de uma criança. Via teus olhos e, apesar da doçura maternal, eu ainda te sabia filha – e não mãe.
Como que fosses nova, pequena e frágil demais para tanto. E como que toda a vida pesasse demais em ti, vi por muitas vezes teus olhos querendo chorar. Parecia haver um pedido de socorro e uma certeza de que ambos éramos incapazes de acudir.
Havia em mim uma insegurança de ser tão mais frágil do que tu. Isso me fazia crer estar enganado. Havia em mim um irrepresável amor fraterno – queria à custa de mim mesmo te dar um colo que eu não tinha nem para mim, nem para ninguém. Isso me fazia acreditar estar inventando.
E se, por acaso, eu não estava enganado e não estava inventando, perguntava a mim mesmo por que teus olhos de menina não choravam para mim. Porque eu sentia tua respiração, teu sorriso terno, o arco de tuas sobrancelhas e o pavor que me causava saber-me tão próximo daquelas lágrimas me provocava uma certeza tão ilógica, mas tão clara de que eu havia nascido para estar ali.
Mas também penso que, se as lágrimas passaram e eu não vi, talvez hoje ou amanhã chegue a hora dos risos e quem sabe eu realmente tenha nascido para isso também. Porque tu, menina que és, mereces de mim todos os risos que puderes dar. E eu, porque não sei como te chamar ou como me expressar, deixo dito, caso me acredites, que sobre meus ombros poderiam ser derramadas as lágrimas de uma vida inteira, contanto que fossem tuas.
Eu as enxugaria se, por bondade do destino, fosse dado a mim de estar por perto para enxugar. Também as beberia, se me fosse dada a dádiva de sentir sozinho a tua dor.
Mas talvez eu esteja todo enganado, talvez eu esteja ainda vendo uma janela passada, longamente abandonada
-------------------------------
Continuando... continuações podem ser interessantes. Lembro o dizer de fred mercury “ i dont wanna die, sometimes i wish id never been born at all”. E penso tantas vezes, nessa minha feiura, de nunca ter nascido… mas nasci. Interessantemente, muito pouca coisa me agrada nisso de ter nascido e me pergunto se àqueles três aninhos eu já predizia a reserva interminável de esperas eu a vida me traria. E eu espero. Lembro também de vinicius dizendo à bem amada que gostaria de dar a ela como presente de aniversário suas loucas carreiras quando criança “na certa em premonitória busca por teus braços”. E se aquele menininho que eu era já sabia – deveria bem saber – como eu ainda sentiria o mesmo tanto “triste e sem remédio” disse que eu sinto por você?
Talvez seja uma continuação.
Então falavas de como gostarias de aprender coisas comigo e eu queria dizer que, apesar de já haver percebido, pouco podia acreditar, porque perto de ti me sinto bastante idiota. Sim, mais perto, mais idiota. Tenho a impressão de que não vou mais saber encontrar minha cara, minhas palavras, que não saberei, caso ache qualquer palavra, como dize-la e, caso diga, que será por demais tola. Penso que diante de ti, sou pouco demais. Mas isso é o que acontece quando alguém está assim bobo bobo e se vê diante daquela uma pessoa por quem se padece. Mas eu também penso que és só uma menina, que és frágil como a menina que és, sem aditivos, porque a idade não nos faz deixar de precisar de proteção ou colo, não nos faz deixar de ter medo. Então me vejo diante dessa menininha, com olhinhos suplicantes por um socorro, que a coisa já não ta dando pra agüentar, a vejo com as lágrimas presas, que querem chorar, mas não podem de jeito nenhum... bom, eu penso que posso, sim, carregar em meus ombros toda a dor do mundo que você tiver pra chorar.
E eu não sei qual é a sua confusão, mas com o punhado de certezas que eu tenho, a gente constrói um mundo. Tal qual eu fosse só alguém que teima em sonhar demais - e eu já desisti de sonhar - mas digo assim que daqui a cinco anos posso dizer por aí que já sou adulto, bem visto, empregado e te roubo pra casar comigo. Mas é claro que eu sei que... é, que eu não sei nada, nem mesmo se você vai querer. Então eu espero, eu reclamo, eu lembro de ti quando pego uma daquelas odiosas apostilas pra estudar, mesmo sabendo que não faria diferença alguma pra ti, mas eu morria de vontade que tudo fosse diferente e eu pudesse dizer de novo, sem parecer muito descabido, que cases comigo. Casar de “ver o mundo com água na boca do café, do almoço e do jantar”. Porque perto de ti tudo tem um gosto diferente e me causas uma estranha e inelutável vontade de viver. E até lá, até o próximo telefonema, a próxima risada, próxima notícia, perturbo meus amigos falando de você.
Que o que eu queria mesmo dizer era que você, nesse mundo, nunca vai ficar sozinha. Que eu não tenho medo de tempestade e de onde vierem os trovões, eu vou te proteger. Que eu seguro a tua mão, não vais te perder. Se a gente se perder junto, eu acho ou até invento um novo caminho pra você. Que só o que eu quero é ter alguma lembrança singela de segurar tua mão, atravessar a rua de trás de um shopping com duas – ou não sei – garrafas de bohemia numa sacola e que se repita ainda por tantos anos, porque isso que eu sinto quando eu fecho os olhos e imagino a gente andando numa brisa fria e eu parando e podendo dizer... olha, isso é sim bonito, muito, do jeito que eu sei que mereces e que eu acho que tem que ser.
--------------------------------
ah, mas depois, se você quiser, eu posso te dizer em que dia escrevi cada um desses, depois de que situação, por que escrevi cada uma das coisas.
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"nós vivemos juntos numa fotografia do tempo... eu olho nos seus olhos e os mares se abrem para mim. eu digo que lhe amo e que sempre amarei... e eu sei que você não pode me dizer. eu sei que você não pode me dizer, então eu sou obrigado a catar as dicas, os pequenos símbolos da sua devoção..."
tem sido a musiquinha das tardes que podem ter música, tem sido a música das horas que me cabem ser. quando muito raro me dou ao luxo de sentir o que sinto, de embarcar na minha pessoa que sonha com você. nas outras 22 horas do dia em que não estou dormindo... eu sei que você entende: não quer dizer que eu esteja o tempo todo ocupado, só quer dizer que se eu paro pra pensar em você, eu posso não fazer mais nada e grande parte das vezes confesso ter medo de não parar mais. então eu me distraio de alguma forma não muito eficiente, leio qualquer coisa, durmo, estudo. mas de muito pouco me servem as distrações. e então você me pergunta o que eu faço... e como eu posso dizer?
que não quero lhe causar ainda mais problemas, que queria poder parar e perguntar um monte de coisas, que queria poder cuidar de ti, que há uma infinidade de coisas que eu poderia fazer... como eu poderia dizer que me sinto um idiota perto de você?
eu queria explicações... ao menos umas poucas, mas nunca pude parar para lhe perguntar. e queria poder perguntar. queria que você soubesse o quanto penso em você e o quão terno é. e se você soubesse, nunca falaria em banalizar-se um sentimento.
quem sabe eu devesse ter as palavras certas.
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Lar é qualquer lugar perto de você.
sinto uma necessidade absurda de escrever. escrevo ainda como uma tentativa, um autômato e, de certo, não sai nada daquilo que eu realmente queria dizer
sing what you have to sing, dance what you have to dance...
quis te ligar, escrever, visitar, quis te dizer aquele monte de coisas que meu silêncio não diria, quis transmitir através dos meus olhos, mas eu não soube como.
e gosto da maneira como me chamas e como me gostas, mas não sei como dizer. não sei o que dizer. então você vê que qualquer pouco sentido que minhas palavras possam fazer é tão clichê quanto se leria numa dessas revistas pré-adolescentes. e fico pensando se de alguma maneira eu conseguiria te dizer o que quero.
mas olha, é o texto que é confuso. eu sei muito bem o que sinto agora e penso e quero dizer.
mas provavelmente vai levar tempo.
a gente entende o coração como nossa máquina de sentir. a gente não usa a palavra coração pra designar um órgão, uma bomba que suga e impulsiona sangue... a gente fala em coração como o lugar ou a coisa na gente que sente, que guarda. como eu digo "você mora no meu coração". e esse coração de que eu falo, ele não amadurece, não envelhece e não aprende. ele não gosta quando eu quero que goste e também não desgosta e muito menos ele sabe se fazer entender.
mas ninguém aqui fala abertamente das coisas, a gente fala em "gostar" "querer bem", mas a gente toma cuidado com as palavras fortes... eu não disse "eu estou apaixonado por você" e você não disse "eu não quero ser sua namorada". e eu preciso entender. mesmo que não seja possível. porque a minha máquina de pensar trabalha o tempo todo tentando resolver os problemas da máquina de sentir. e se eu achar que há algo que se possa resolver, eu vou tentar resolver, eu vou querer resolver... todo problema tem uma solução. e eu sou idiota demais pra calcular dificuldades.
então talvez eu devesse ter dito assim:
olha... eu rego tempo com cartas, é como eu faço. talvez eu arranque uma folha do meu caderno e escreva umas coisas. qualquer coisa de como foi meu dia, como foi a aula, talvez eu passe lá pela sua casa, talvez eu dê um toque no seu telefone só pra você saber que eu estava pensando em você.
então vou passar uma tarde ou outra com você, nós vamos conversar e sorrir. vais me sorrir teu sorriso mais triste, aquele de súplica e eu segurarei tua mão em resposta, por nunca saber como dizer assim "já passou". vou dizer que comigo você não precisa ter medo, vou dizer com a certeza de alguém pequeno, que se sente um idiota perto de você, mas um idiota no topo do mundo.
vai chegar um dia em que vais cansar de se despedir e vamos começar a dar bom dia ao invés de boa noite.
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Depois de um certo dia, certas coisas que disseste, e nunca mias consegui ver teus olhos de outra maneira. Via em ti uma menina, tornei-me incapaz de perceber tua idade ou qualquer coisa que te distanciasse do ser de uma criança. Via teus olhos e, apesar da doçura maternal, eu ainda te sabia filha – e não mãe.
Como que fosses nova, pequena e frágil demais para tanto. E como que toda a vida pesasse demais em ti, vi por muitas vezes teus olhos querendo chorar. Parecia haver um pedido de socorro e uma certeza de que ambos éramos incapazes de acudir.
Havia em mim uma insegurança de ser tão mais frágil do que tu. Isso me fazia crer estar enganado. Havia em mim um irrepresável amor fraterno – queria à custa de mim mesmo te dar um colo que eu não tinha nem para mim, nem para ninguém. Isso me fazia acreditar estar inventando.
E se, por acaso, eu não estava enganado e não estava inventando, perguntava a mim mesmo por que teus olhos de menina não choravam para mim. Porque eu sentia tua respiração, teu sorriso terno, o arco de tuas sobrancelhas e o pavor que me causava saber-me tão próximo daquelas lágrimas me provocava uma certeza tão ilógica, mas tão clara de que eu havia nascido para estar ali.
Mas também penso que, se as lágrimas passaram e eu não vi, talvez hoje ou amanhã chegue a hora dos risos e quem sabe eu realmente tenha nascido para isso também. Porque tu, menina que és, mereces de mim todos os risos que puderes dar. E eu, porque não sei como te chamar ou como me expressar, deixo dito, caso me acredites, que sobre meus ombros poderiam ser derramadas as lágrimas de uma vida inteira, contanto que fossem tuas.
Eu as enxugaria se, por bondade do destino, fosse dado a mim de estar por perto para enxugar. Também as beberia, se me fosse dada a dádiva de sentir sozinho a tua dor.
Mas talvez eu esteja todo enganado, talvez eu esteja ainda vendo uma janela passada, longamente abandonada
-------------------------------
Continuando... continuações podem ser interessantes. Lembro o dizer de fred mercury “ i dont wanna die, sometimes i wish id never been born at all”. E penso tantas vezes, nessa minha feiura, de nunca ter nascido… mas nasci. Interessantemente, muito pouca coisa me agrada nisso de ter nascido e me pergunto se àqueles três aninhos eu já predizia a reserva interminável de esperas eu a vida me traria. E eu espero. Lembro também de vinicius dizendo à bem amada que gostaria de dar a ela como presente de aniversário suas loucas carreiras quando criança “na certa em premonitória busca por teus braços”. E se aquele menininho que eu era já sabia – deveria bem saber – como eu ainda sentiria o mesmo tanto “triste e sem remédio” disse que eu sinto por você?
Talvez seja uma continuação.
Então falavas de como gostarias de aprender coisas comigo e eu queria dizer que, apesar de já haver percebido, pouco podia acreditar, porque perto de ti me sinto bastante idiota. Sim, mais perto, mais idiota. Tenho a impressão de que não vou mais saber encontrar minha cara, minhas palavras, que não saberei, caso ache qualquer palavra, como dize-la e, caso diga, que será por demais tola. Penso que diante de ti, sou pouco demais. Mas isso é o que acontece quando alguém está assim bobo bobo e se vê diante daquela uma pessoa por quem se padece. Mas eu também penso que és só uma menina, que és frágil como a menina que és, sem aditivos, porque a idade não nos faz deixar de precisar de proteção ou colo, não nos faz deixar de ter medo. Então me vejo diante dessa menininha, com olhinhos suplicantes por um socorro, que a coisa já não ta dando pra agüentar, a vejo com as lágrimas presas, que querem chorar, mas não podem de jeito nenhum... bom, eu penso que posso, sim, carregar em meus ombros toda a dor do mundo que você tiver pra chorar.
E eu não sei qual é a sua confusão, mas com o punhado de certezas que eu tenho, a gente constrói um mundo. Tal qual eu fosse só alguém que teima em sonhar demais - e eu já desisti de sonhar - mas digo assim que daqui a cinco anos posso dizer por aí que já sou adulto, bem visto, empregado e te roubo pra casar comigo. Mas é claro que eu sei que... é, que eu não sei nada, nem mesmo se você vai querer. Então eu espero, eu reclamo, eu lembro de ti quando pego uma daquelas odiosas apostilas pra estudar, mesmo sabendo que não faria diferença alguma pra ti, mas eu morria de vontade que tudo fosse diferente e eu pudesse dizer de novo, sem parecer muito descabido, que cases comigo. Casar de “ver o mundo com água na boca do café, do almoço e do jantar”. Porque perto de ti tudo tem um gosto diferente e me causas uma estranha e inelutável vontade de viver. E até lá, até o próximo telefonema, a próxima risada, próxima notícia, perturbo meus amigos falando de você.
Que o que eu queria mesmo dizer era que você, nesse mundo, nunca vai ficar sozinha. Que eu não tenho medo de tempestade e de onde vierem os trovões, eu vou te proteger. Que eu seguro a tua mão, não vais te perder. Se a gente se perder junto, eu acho ou até invento um novo caminho pra você. Que só o que eu quero é ter alguma lembrança singela de segurar tua mão, atravessar a rua de trás de um shopping com duas – ou não sei – garrafas de bohemia numa sacola e que se repita ainda por tantos anos, porque isso que eu sinto quando eu fecho os olhos e imagino a gente andando numa brisa fria e eu parando e podendo dizer... olha, isso é sim bonito, muito, do jeito que eu sei que mereces e que eu acho que tem que ser.
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ah, mas depois, se você quiser, eu posso te dizer em que dia escrevi cada um desses, depois de que situação, por que escrevi cada uma das coisas.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
couldnt find the time to tell you
baby dear, you should know how much i love you. you should know how much i love you before you say hi, because you dont know how beautiful it sounds to me, because you dont know how my heart melts in your hands when you say.
you should know how much i care. i dont know how to love you, but i know that i love you. i dont know how to knock on your door and steal you away from this world, but ill simply do it anytime soon. ill kiss your forehead, ill watch you fall asleep, we will walk hand-in-hand at night, the cold breeze will sing you the dearest walts god could write... if he was in love with the wind like i am in love with you. because when i saw you walking away, i wish i was the road. i wish i would ever in my life be your home, as miserably in love as one can be, i even wish i was the souvenir you keep your housekey on. pass by me like a dream, but let me only please wake up when my lips can reach and wake you up too, if im a dream to you. and if you cry, sometimes you will for i cant stop the world and time, but know ill be there for you, strong as you could have my eyes, if they were to make you not cry, lovely as you could have my heart, if it was not to ache on you.
you should know how much i care. i dont know how to love you, but i know that i love you. i dont know how to knock on your door and steal you away from this world, but ill simply do it anytime soon. ill kiss your forehead, ill watch you fall asleep, we will walk hand-in-hand at night, the cold breeze will sing you the dearest walts god could write... if he was in love with the wind like i am in love with you. because when i saw you walking away, i wish i was the road. i wish i would ever in my life be your home, as miserably in love as one can be, i even wish i was the souvenir you keep your housekey on. pass by me like a dream, but let me only please wake up when my lips can reach and wake you up too, if im a dream to you. and if you cry, sometimes you will for i cant stop the world and time, but know ill be there for you, strong as you could have my eyes, if they were to make you not cry, lovely as you could have my heart, if it was not to ache on you.
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